22 de jan. de 2013

NADA RESTA


Ainda sedo, a vida o abandonou
E toda sorte de ser feliz também
Sonhos, fantasias, já não tem
Nem lembranças do que passou
Medo, cisma, culpa ou pudor
Nada disso mais, ele tem.
A utopia o abandonou também.
O emprego, a praia, o shopping a festa
Nada mais para ele presta
Não sofre, não sente raiva ou dor
E já não serve o colo do seu grande amor
Nem mesmo a morte que lhe rodeava, resta.

                                José BENEdito de BRITO

14 de jan. de 2013

INGOVERNÁVEL


Não tenho governo sobre os meus sonhos.
São como poesia que nascem do entulho
ou como um pezinho de abóbora
que germina nas cinzas de um toco.
Sou nascido para sonhos vãos...
Quero as catengas vestidas de paz
e o calor mais humano entre humanos.
O olhar efêmero de um bicho,
entocado nos escombros, louvo.
(mais que as catedrais)
Porque os sonhos de Deus  
estão nas semeaduras cuspidas de desprezos.


                                          José BENEdito de BRITO

19 de nov. de 2012

FERIDA

Coração, não se deixe enganar, outra vez
só quem foi ferido sente a dor.
Se ela diz não saber o mal que te fez
é porque nunca, deveras, te amou.

Pois quem fere uma alma no amor
também é ferido abruptamente.
Não se deixe abater, faça favor,
por uma ilusão falsa e indolente.

Se ela não te quer, não te cativa,
decerto, não merece teu amor.
A flor morre para que o fruto viva,
coração sem alma não serve ao criador.



                                         José BENEdito de BRITO         


9 de out. de 2012


CORAÇÃO

Estranho esse tal coração.
Vive dentro da gente
e parece não nos pertencer.
Sim.
Descobri outro dia,
e por acaso,
que ele estava apaixonado.
Apaixonadíssimo quão os musgos
que se prendem as pedras.
Não me dissera...
Percebi ditoso sentimento
quando, certo dia, flagrei-me
distraído a chorar pelas ruas.
Minha cabeça em desvario
e o peito em lavas.
Ah, insensato coração!
Não vês quanto estrago me causas!
Não vês que meu peito,
ainda dilacerado, não cabe outro alguém?
E agora, o que fazer,
se esse alguém por quem deliras,
não se prende a tal paixão?



José Benedito de Brito


21 de ago. de 2012

Amara


Amara amava Hamilton.
Hamilton amava o mar.
E no desvario do amar
amara o marinheiro
como quem doa-se ao mar.
Mas amor só de uma via
se afoga no amar.
Amara em maremoto
imergiu fundo no mar,
para esquecer do marujo
para não mais marejar.
Hamilton vive feliz
navegando em sua nau,
Amara vive de encantos
nas sombras do abissal.

José BENEdito de BRITO