21 de mar. de 2012

RUA

Rua silenciosa
rua solitária
rua solidária
minha solidão.
Rua da união
rua da aurora
rua que consola
minha aflição.
Rua da concórdia
rua dos aflitos
rua dos contritos
da contravenção.
Rua do passeio
rua da saudade
rua da cidade
rua da ilusão.
Me deixas ser tua
gloriosa rua
dou-me em tuas mãos.

José BENEdito de BRITO

14 de mar. de 2012

SINA (em Pessoa)

Te condenaram,
poeta,
a só pensar em palavras.

E com palavras
poéticas,
fundir nossa dor.

De tal forma que, ao ler tua
poesia,
já não sei se a dor que sinto
é de fato minha!


             José BENEdito de BRITO

2 de mar. de 2012

MENTIRA



Mentira, mentira...

Tu me tiras do sério.

É sério!

Mentiras...

Verdades inventadas!?

Que nada!

Apenas invenção.

Então me diz

[para acalmar meu coração]

uma mentira que me faça feliz.



                   José BENEdito de BRITO

25 de fev. de 2012

MOTIVO


Sol luzindo o céu.
Mudos:
o dicionário
o lápis
e o papel
todos à mesa.
- Paciência poeta!
A poesia pede uma cerveja.

                          José BENEdito de BRITO 

10 de fev. de 2012

Lua

lua de tantas fases...
que tanto fazes!?
[seminua]
lua, lua, lua...
por que me ocultas
a outra face tua?
lua que vagueia
arrastando meus olhos
                      para o céu.
Por que te desnuas,
misteriosa lua,
te escondendo num véu?


        José BENEdito de BRITO

4 de fev. de 2012

MAR

O mar é um porto
Sem ancoradouro
Onde as águas é certeza
A espera infinda tristeza...
Uma busca infinita.
O mar é a brisa dos teus versos
Cortando-me a pele ressequida.
Uma cantiga esquisita
Das ondas e seus reversos.
Pedaço roubado da vida.
Mar...
E quanto mar em mim...
Porto sem ancoradouro...
Só tuas areias molhadas
Fazem-me umedecida
Com gosto de sal de tua boca
O peito ancorado em feridas.


Do livro  "O mar é um porto"
Uma história de amor (em breve em suas mãos)
José BENEdito de BRITO

31 de jan. de 2012

O RIO

Não tenho barco,
só a inspiração dos rios.

Qual um pescador,
vivo a ler os peixes.

E pesco palavras
nas correntezas dos rios.

Fisgo uma palavra
e me vem um cardume de versos.

O rio é uma correnteza
de poemas líquidos em peixes vivos.


José BENEdito de BRITO