26 de mai. de 2011

DE NADA VALE O SORRISO


Nos olhos do desencanto
Na face do dissabor
Na boca d’uma serpente
Na pele crua do horror.

Na noite que apavora
Na fúria do tubarão
Nas chagas que nos devora
No pavor da solidão.

Nos dentes da crueldade
Nas garras da maldição
Na força da covardia
Na fragilidade da dor.

Nas pernas do desespero
Na faca da traição
Na agonia da morte
Na indiferença da mão.

Nos desencantos da vida
Nas celas da contrição.
De nada vale um sorriso
Se não houver compaixão.

17 de mai. de 2011

ESTRELAS NO PAIOL


De qual estrela furtaste o brilho
pra enfeitar teus olhos?
O céu é poesia
mas, não se ver a luz do dia
estrelas a brilhar.
Só teus olhos ofuscam o sol,
nem mesmo o arrebol
distrai-me da leveza
compara-se a beleza
dos teus olhos de farol.
Ah, que tanto vês, como criança
que meus olhos nunca alcançam?
Será estrelas no paiol?
Esta noite é só um instante
como jamais fora antes,
contar estrelas qual amantes
vaga-lumes a cintilar.
Por que me negas teu olhar?
E para que serve os olhos
senão para devorar a beleza?
Ah, como meus olhos te devoram!
Estrela da aurora, da noite,
ou qualquer hora que vive a me guiar.

             José BENEdito de BRITO

10 de mai. de 2011

VAGABUNDO


Sou vagabundo
no mundo
que se vira
em tiras
de tiranos.

Sou vira-mundo
virado em vírus.
O tiro
o suspiro
o silêncio.

A voz
não cala.
Fala, grita,
agita, critica
repetidamente.

Quem me escuta
me segue.
Percebe,
não pede, exige!
ser livre!

21 de fev. de 2011

Narciso

Pasta uma boiada
Onde antes flores
De paus-d`arco
irrompiam para mim


O tempo varreu
As flores da paisagem
E no lugar do roxo e do amarelo
O gado rumina minha infância


E nostálgico,
- o velho Narciso –
Morrendo nos meus olhos

1 de jan. de 2011

Ermos

Não tenho destino
Tenho saudades
Não tenho razões
Tenho paixões
Não tenho certezas
Tenho esperanças
de ser feliz contigo em 2011.

Tereza Balai

Tereza Balai vivia na nossa infância.
Era doida de não ser ninguém
Desandava o mundo inteiro
Com sua trouxa suja de trapos.
 - Oia, lá vem a Tereza Balai!
- Vamos mexer com ela!
- Vamos. Cutuca o rabo dela!
Sua ira disparava, sem direção:
Paus, pedras, cacos e pulhas
Gestos obscenos não nos eram poupados
Tudo a se perder no ar de nossa infância.
Tereza Balai era rica de dizer indecências
Sua língua tapava o ouvido do mundo
E nós, os moleques, vagabundeando
Gostava que o mundo gozasse si rindo dela.

José BENEdito de BRITO