10 de mai. de 2011

VAGABUNDO


Sou vagabundo
no mundo
que se vira
em tiras
de tiranos.

Sou vira-mundo
virado em vírus.
O tiro
o suspiro
o silêncio.

A voz
não cala.
Fala, grita,
agita, critica
repetidamente.

Quem me escuta
me segue.
Percebe,
não pede, exige!
ser livre!

21 de fev. de 2011

Narciso

Pasta uma boiada
Onde antes flores
De paus-d`arco
irrompiam para mim


O tempo varreu
As flores da paisagem
E no lugar do roxo e do amarelo
O gado rumina minha infância


E nostálgico,
- o velho Narciso –
Morrendo nos meus olhos

1 de jan. de 2011

Ermos

Não tenho destino
Tenho saudades
Não tenho razões
Tenho paixões
Não tenho certezas
Tenho esperanças
de ser feliz contigo em 2011.

Tereza Balai

Tereza Balai vivia na nossa infância.
Era doida de não ser ninguém
Desandava o mundo inteiro
Com sua trouxa suja de trapos.
 - Oia, lá vem a Tereza Balai!
- Vamos mexer com ela!
- Vamos. Cutuca o rabo dela!
Sua ira disparava, sem direção:
Paus, pedras, cacos e pulhas
Gestos obscenos não nos eram poupados
Tudo a se perder no ar de nossa infância.
Tereza Balai era rica de dizer indecências
Sua língua tapava o ouvido do mundo
E nós, os moleques, vagabundeando
Gostava que o mundo gozasse si rindo dela.

José BENEdito de BRITO

19 de dez. de 2010

Poema de desconfiar

O sapo propôs a cigarra
fazerem juntos, um coral
desconfiada a cigarra exclamou:
eeeeeeeesisisisisisisisisisisisisisi!!!!

Poema de goiabeira

Uma faca de madeira
Um pedaço de cordão
Um galho de goiabeira
E moldei o meu pinhão


Eu cortei a goiabeira
Não foi por maldade não
Foi pra fazer brincadeira
Pra brincar no são João.


Roda mundo, roda pinhão
Roda vida na poeira
Roda pé de goiabeira
Roda aqui na minha mão.