No vadio do amanhecer me reconheço, até os sapos me cantam. Sou consumista de palavras. Na arte de ser humilde, sou um fracasso de Deus. Não sou belo em matéria. A beleza é uma coisa feia de se ver aos vermes. Tenho pena de pássaros. Tudo para mim é nada. Estupidez é não querer ser coisa alguma. Sou alguma coisa em processo.
14 de mai. de 2011
10 de mai. de 2011
VAGABUNDO
Sou vagabundo
no mundo
de tiranos .
Sou vira-mundo
O tiro
o suspiro
o silêncio .
A voz
repetidamente.
Percebe,
21 de fev. de 2011
Narciso
Pasta uma boiada
Onde antes flores
De paus-d`arco
irrompiam para mim
O tempo varreu
As flores da paisagem
E no lugar do roxo e do amarelo
O gado rumina minha infância
E nostálgico,
- o velho Narciso –
Morrendo nos meus olhos
Onde antes flores
De paus-d`arco
irrompiam para mim
O tempo varreu
As flores da paisagem
E no lugar do roxo e do amarelo
O gado rumina minha infância
E nostálgico,
- o velho Narciso –
Morrendo nos meus olhos
1 de jan. de 2011
Ermos
Não tenho destino
Tenho saudades
Não tenho razões
Tenho paixões
Não tenho certezas
Tenho esperanças
de ser feliz contigo em 2011.
Tenho saudades
Não tenho razões
Tenho paixões
Não tenho certezas
Tenho esperanças
de ser feliz contigo em 2011.
Tereza Balai
Tereza Balai vivia na nossa infância.
Era doida de não ser ninguém
Desandava o mundo inteiro
Com sua trouxa suja de trapos.
- Oia, lá vem a Tereza Balai!
- Vamos mexer com ela!
- Vamos. Cutuca o rabo dela!
Sua ira disparava, sem direção:
Paus, pedras, cacos e pulhas
Gestos obscenos não nos eram poupados
Tudo a se perder no ar de nossa infância.
Tereza Balai era rica de dizer indecências
Sua língua tapava o ouvido do mundo
E nós, os moleques, vagabundeando
Gostava que o mundo gozasse si rindo dela.
19 de dez. de 2010
Poema de desconfiar
O sapo propôs a cigarra
fazerem juntos, um coral
desconfiada a cigarra exclamou:
eeeeeeeesisisisisisisisisisisisisisi!!!!
fazerem juntos, um coral
desconfiada a cigarra exclamou:
eeeeeeeesisisisisisisisisisisisisisi!!!!
Poema de goiabeira
Uma faca de madeira
Um pedaço de cordão
Um galho de goiabeira
E moldei o meu pinhão
Eu cortei a goiabeira
Não foi por maldade não
Foi pra fazer brincadeira
Pra brincar no são João.
Roda mundo, roda pinhão
Roda vida na poeira
Roda pé de goiabeira
Roda aqui na minha mão.
Um pedaço de cordão
Um galho de goiabeira
E moldei o meu pinhão
Eu cortei a goiabeira
Não foi por maldade não
Foi pra fazer brincadeira
Pra brincar no são João.
Roda mundo, roda pinhão
Roda vida na poeira
Roda pé de goiabeira
Roda aqui na minha mão.
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