No vadio do amanhecer me reconheço, até os sapos me cantam. Sou consumista de palavras. Na arte de ser humilde, sou um fracasso de Deus. Não sou belo em matéria. A beleza é uma coisa feia de se ver aos vermes. Tenho pena de pássaros. Tudo para mim é nada. Estupidez é não querer ser coisa alguma. Sou alguma coisa em processo.
4 de abr. de 2013
22 de jan. de 2013
NADA RESTA
Ainda sedo, a
vida o abandonou
E toda sorte de
ser feliz também
Sonhos,
fantasias, já não tem
Nem lembranças do
que passou
Medo, cisma,
culpa ou pudor
Nada disso mais,
ele tem.
A utopia o
abandonou também.
O emprego, a
praia, o shopping a festa
Nada mais para
ele presta
Não sofre, não
sente raiva ou dor
E já não serve o
colo do seu grande amor
Nem mesmo a morte
que lhe rodeava, resta.
José BENEdito de BRITO
14 de jan. de 2013
INGOVERNÁVEL
Não tenho governo sobre os meus sonhos.
São como poesia que nascem do entulho
ou como um pezinho de abóbora
que germina nas cinzas de um toco.
Sou nascido para sonhos vãos...
Quero as catengas vestidas de paz
e o calor mais humano entre humanos.
O olhar efêmero de um bicho,
entocado nos escombros, louvo.
(mais que as catedrais)
Porque os sonhos de Deus
estão nas semeaduras cuspidas de desprezos.
José BENEdito de BRITO
19 de nov. de 2012
FERIDA
Coração, não se deixe enganar, outra vez
José
BENEdito de BRITO
só quem foi ferido sente a dor.
Se ela diz não saber o mal que te fez
é porque nunca, deveras, te amou.
Pois quem fere uma alma no amor
também é ferido abruptamente.
Não se deixe abater, faça favor,
por uma ilusão falsa e indolente.
Se ela não te quer, não te cativa,
decerto, não merece teu amor.
A flor morre para que o fruto viva,
coração sem alma não serve ao criador.
12 de out. de 2012
9 de out. de 2012
CORAÇÃO
Estranho esse tal
coração.
Vive dentro da gente
e parece não nos
pertencer.
Sim.
Descobri outro dia,
e por acaso,
que ele estava
apaixonado.
Apaixonadíssimo quão
os musgos
que se prendem as
pedras.
Não me dissera...
Percebi ditoso
sentimento
quando, certo dia, flagrei-me
distraído a chorar pelas ruas.
Minha cabeça em
desvario
e o peito em lavas.
Ah, insensato coração!
Não vês quanto estrago
me causas!
Não vês que meu peito,
ainda dilacerado, não
cabe outro alguém?
E agora, o que fazer,
se esse alguém por
quem deliras,
não se prende a tal
paixão?
José Benedito de Brito
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