19 de abr. de 2012

ESQUEÇA


Esqueça o nosso jantar
nossa conversa no bar
tudo pode esquecer.
Não me faça promessas
pode crer, não sou dessas...
Pode me esquecer.
Para me merecer
você teria que muito fazer.
Pode crer, não sou dessas
de enrolar, de ficar
de aventura fugaz.
Eu quero muito mais
quero ser amada
querida, cortejada
encontrar minha paz.
Esqueça que lhe quis um dia
da minha fantasia, da minha ilusão
esqueça-me, não sou dessa vadias
que só quer o que é seu.
Se lhe fiz algum pedido
tão sincero, sentido
também pode esquecer.
Esqueça o meu coração
pois a minha ilusão
vai tentar lhe esquecer.


           José BENEdito de BRITO


           José BENEdito de BRITO

14 de abr. de 2012

INCÊNDIO

Essas águas
essas pedras
esse rio
essa dor
esse horizonte
esse medo!
De onde nasce essa fonte?
Essa ilusão...
Do teu coração!?
Já não tenho palavras
não tenho remédio
não tenho mais cura.
Será loucura!
Essa chama
esse incêndio
essa lava
essa erupção
quando toco tua mão.
Será paixão?

José BENEdito de BRITO

6 de abr. de 2012

TEMPOS DE GLÓRIA

Agora vou dar um tempo pro ócio
Correr, comprar vender, pechinchar.
O negócio é cuidar dos negócios
que a vida não tá pra bobeira.
- Relaxar, nem de brincadeira!
Vou cuidar de arranjar outro sócio
esquecer essa coisa de divórcio
passeio, jantar e rodas de cerveja.
- Meu negócio é fundar uma igreja
Nos cultos falar de amor
inventar cura para toda dor
vou  forjar milagres pra loucura
ressuscitar mortos em sepultura
lotear bônus de salvação.
Arranjar meu primeiro milhão.
- Pois há gente de bom coração.
Já que o tempo não tá mais pra protestos
vou fazer lobby no congresso
pra concessão de uma rede de TV.
Rezar, só na cartilha da sonegação.
- Vem para o culto meu irmão!
Passear, só de porsche com vidros fumê
em Manhattan morar num APÊ.
- A pobreza que vá se foder!
Cristo tem poder. Aleluia, irmãos!

                                   José BENEdito de BRITO

1 de abr. de 2012

De quem são esses olhos?


De quem são esses olhos
que arrastam meus olhos
essa faca cortante
que a todo instante
minha alma incendeia
me rouba segredos
e em meus olhos vagueiam?
De quem são esses olhos
Que me mete medo?
Terá algum segredo!
Ah, de quem são esses olhos!
esses olhos, esses olhos...
que miram meus olhos
arqueando meus olhos
curando os abrolhos
do olhar dos meus olhos
Será olhos de brinquedo!
Então, olha em meus olhos
e me diz: qual é teu segredo?


                            José BENEdito de BRITO

21 de mar. de 2012

RUA

Rua silenciosa
rua solitária
rua solidária
minha solidão.
Rua da união
rua da aurora
rua que consola
minha aflição.
Rua da concórdia
rua dos aflitos
rua dos contritos
da contravenção.
Rua do passeio
rua da saudade
rua da cidade
rua da ilusão.
Me deixas ser tua
gloriosa rua
dou-me em tuas mãos.

José BENEdito de BRITO

14 de mar. de 2012

SINA (em Pessoa)

Te condenaram,
poeta,
a só pensar em palavras.

E com palavras
poéticas,
fundir nossa dor.

De tal forma que, ao ler tua
poesia,
já não sei se a dor que sinto
é de fato minha!


             José BENEdito de BRITO

2 de mar. de 2012

MENTIRA



Mentira, mentira...

Tu me tiras do sério.

É sério!

Mentiras...

Verdades inventadas!?

Que nada!

Apenas invenção.

Então me diz

[para acalmar meu coração]

uma mentira que me faça feliz.



                   José BENEdito de BRITO