No vadio do amanhecer me reconheço, até os sapos me cantam. Sou consumista de palavras. Na arte de ser humilde, sou um fracasso de Deus. Não sou belo em matéria. A beleza é uma coisa feia de se ver aos vermes. Tenho pena de pássaros. Tudo para mim é nada. Estupidez é não querer ser coisa alguma. Sou alguma coisa em processo.
12 de dez. de 2011
1 de dez. de 2011
QUANTO QUERER
Ah!
quanto eu quero
que você me queira
quanto eu desejo
ser o teu desejo
quanto os meus beijos
querem te beijar.
Ah!
Quanto de minha boca
quer a tua boca
quanto minha língua
quer te rociar
quanto minha pele
quer a tua pele
quanto meus olhos
quer te vigiar.
Ah!
quanto meus olhos
querem os teus olhos
quanto os meus dedos
querem os teus dedos
quanto meus segredos
querem o teu segredo
quanto os meus braços
querem te abraçar.
Ah!
e quanta sede de ser tua sede
e quanto desejo de te saciar.
Ah, eu sou apenas um pobre poeta
insistindo em ti fazer canção
quem dera fosse um aventureiro
quiçá, teria o teu coração.
José BENEdito de BRITO
E ENTÃO!
Não tenho futuro.
Tenho apenas passado
um virtuoso passado
nem claro, nem escuro
de alegrias e dor
um caminho marcado
por êxitos, crises,
tensões, amor, dissabor
arranhões e cicatrizes
que me fizeram o que sou.
- Andarilho em busca de mim.
Não tenho sina, nem sorte!
A sorte de me abandonar
goza se rindo de mim.
28 de nov. de 2011
FACES
De tanto querer...
- Teimo,
até minha dor se fazer poesia
e evadir no silêncio do ermo
de tal maneira que minha alegria
se confunda, se embriague nos termos
e minha face se esconda na fantasia.
De tanto querer,
- Persisto,
teimo ser mais feliz algum dia, ungido
de tal forma que a expressão da alegria
seja meu rosto estampado, despido
sem alegorias ou máscaras de fantasias.
José BENEdito de BRITO
sem alegorias ou máscaras de fantasias.
José BENEdito de BRITO
19 de nov. de 2011
Clamores
Amor , rosas e flores vida beleza e cores . Colori com tuas cores de rosa choque os clamores de um povo que viveu sob as rédeas dos horrores .
Teus clamores não têm cores de rosas, flores campestres .Teus horrores só têm dores de espinhos , ardor e pestes .
José BENEdito de BRITO
13 de nov. de 2011
FUNERAL
uma multidão.
Um passo
uma prece
a solidão .
A bordo um homem frio .
No frio ,
quantas mãos!
Rostos tristes...
Pesada expressão .
Mantos pretos ,
próximos a despedir-se
do capitão .
Ficou para trás:
as terras
o barco
a loja
a rua
a direção
os livros
a sabedoria,
a voz do capitão .
José BENEdito de BRITO
13 de out. de 2011
HOMENAGEM AO DIA DO PROFESSOR
QUADRO
Um quadro negro na sala
um livro, o papel o giz
uma angustia que não cala
uma voz pedindo bis
um sopro
um cisco
uma bala
uma nota infeliz
é o barulho na sala
é o saber por um triz
é sina!
é sorte?
é fado?
é gente torcendo o nariz
é o diário
é o salário
é a licença
é o PIS
é do mundo o absurdo
é faca que corta a raiz.
José BENEdito de BRITO
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